Osgemeos O peixe que comia estrelas cadentes

Dezembro 4, 2006

Galeria Fortes Vilaça

Os gêmeos estão mais que famosos no mundo, por incrível que pareça só agora eles estão conseguindo reconhecimento no Brasil. Pra quem gosta de grafite já viu muitos trabalhos deles nas ruas, o mais legal de ter uma exposição feita pelos gemeos é que eles não ficaram presos só ao grafite.

Quando cheguei na rua da galeria Fortes Vilaça já avistei uma enorme cabeça amarela, já sabia onde era a exposição, essa enorme cabeça do lado de fora já era parte da exposição, a enorme cabeça pintada era muito bonita e impressionava pelo tamanho e pelos detalhes.

Se por fora já achei interessante por dentro então estava ainda melhor. No andar localizado em baixo tinha duas instalações e muitas pinturas na parede, quando desci a escada tinha uma caixa quadra pintada em forma de cabeça e o mais legal que você podia colocar a sua cabeça dentro, lá dentro tinha luzes e uma serie de espelhos que faziam com que gera-se um efeito muito legal, dava para se perder com a sua imagem que era refletida pelo espelho. Logo depois de ver essa instalação deu para perceber que o andar de baixo era um lago, o chão era um lago e as paredes onde tinha pinturas eram as margens do lago. No meio do “lago” tinha um barco feito pelos gêmeos, o barco tinha uns bonecos, pinturas e com ajuda do irmão mais velho d’os gêmeos eles fizeram todo uma engenharia no barco que objetos dentro dele se mexia e o mais legal que tudo isso sem ajuda de um motor.

Ainda no andar de baixo as paredes ou “margens” tinha pinturas grandes de personagens dos gêmeos que é a marca deles, muitas texturas nas roupas, muitas mensagens subliminar e uma riqueza de detalhes imensos, apesar das obras dos gêmeos serem conhecidas por desenhos simples a riqueza de detalhe que tem é impressionante você pode se perde em cada detalhe. Mas o que mais me chamou atenção foi os pequenos desenhos que tinha na parede, eram uma serie de casinhas e cada casinha tem um significado, cada casa tinha um titulo e cada titulo correspondia ao dono da casa, essas sem duvida é a melhor parte da exposição. Nesse mesmo andar tinha ainda uns violões pintados que ficavam no canto da sala.

No andar de cima tinha a parte mais comercial da exposição, mas não deixa de ser boa. Oito telas pintadas pelos gêmeos, todas com uma riqueza de detalhe e abordando diversos temas atuais. Não da para não se emocionar ou ficar pensando sobre as telas, muitas pessoas como eu devem ficar pensando como eles conseguem fazer tudo aquilo com spray e látex, sem duvida eles tem uma técnica muito apurada anos e anos de treino, experiência.

Outra coisa legal é que na entrada tem uma serie de livros que falam sobre os gêmeos, livros com fotos de trabalhos deles no mundo todo.

Links:

Os Gemeos: www.lost.art.br/osgemeos

Galeria Fortes Vilaça: www.fortesvilaca.com.br

Os Gemeos 1

Os Gemeos 2


Exposição Livio Abramo

Dezembro 4, 2006

Instituto Tomie Ohtake

Dentro do Instituto Tomie Ohtake está à exposição “Livio Abramo”, ele nasceu em 1903, filho de italianos, trabalhou com gravura principalmente, suas gravuras eram feitas pela técnica de Xilogravura. Um artista autodidata desenhava desde de criança e mais tarde começou a se aventurar na gravura.

A exposição usa uma linha do tempo que vai mais ou menos de 1930 a 1980. Quando você vai passando da para notar a evolução das obras durantes os anos e como os acontecimentos de determinados anos influenciavam suas gravuras. Tem gravuras da guerra, gravuras de São Paulo, fez uma serie de 27 gravuras de “Pelos sertões”, contos de Afonso Arinos, gravada entre 1946 e 1948.

A exposição conta com as gravuras originais, além disso, estavam expostos jornais com gravuras dele. Livio Abramo foi redator do jornal o Estado de São Paulo. Todas as gravuras que ele fez para os jornais tinham um cunho político, ele tinha essa preocupação política e era militante.

Livio na década de 50 integrou Missão Cultural Brasil Paraguai, mais tarde ele foi viver no Paraguai sendo um importante intermediador entre as duas culturas. Viveu por lá algum tempo (Os últimos 30 anos de sua vida fora do Brasil). Na exposição tem alguns trabalhos dessa fase que vive no Paraguai, a evolução das obras dessa ultima fase é notória e como o Paraguai interfere nelas é nítida.

Foi interessante conhecer o trabalho de Livio Abramo, nessa época estava estudando Xilogravura na oficina de intervenção urbana, como estava fazendo sabia a dificuldade de fazer trabalho em madeira e ver como Livio Abramo conseguia fazer detalhes, tinha precisão e contrastes nas obras.

A exposição contava com um documentário também, uma exposição bem completa. Como faço Interface digital não tenho muito contato com esse tipo de arte.

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Expo Macaco 17

Dezembro 4, 2006

Artista: Kboco – Galeria Choque Cultural

A Choque Cultural é a famosa galeria que mostra a arte que esta acontecendo nas ruas (Todas as suas vertentes, do grafite a pichação). Na data que estive lá esta acontecendo a expo Macaco 17.z

Kboco é de Goiás e trabalha principalmente com grafite, os seus grafites tem como princípio objetivo dialogar com as formas das cidades, comparando com a arte tradicional o estilo de grafite dele seria um grafite abstrato, que usa formas geométricas e linhas que podem formar figuras ou não, os grafites dele vem com um pouco de espiritualidade, influencias da religião, principalmente das religiões africanas.

Logo quando você começa a descer as escadas pra ver a exposição você se depara com um vídeo mostrando a arte do Kboco, onde ela está na cidade, de que forma ele inclui as pinturas dele na cidade. Nas paredes perto da escada já têm grafites que te levam para ver as outras obras. As paredes são usadas como forma de expor as obras, todas às paredes do local são grafitadas pelo Kboco que fez pinturas na parede deu uma pequena mão de tinta branca e fez pinturas outra vez, dando um efeito de transparência e chega a gerar uma certa confusão. Além dos grafites tem pinturas feitas em madeiras de todos os tipos, desde MDF a Portas de armários. Kboco também pinta em cima de portas de ferro achadas na rua.

Kboco faz um grafite diferente do tradicional, não usa letras tradicional do estilo de grafite americano, não faz personagens, passa bem longe de tudo isso, fazendo com que ele se destaque, saindo de Goiás e vindo para são Paulo expor sua arte.

Link:

Kboco: www.fotolog.com/oxala

Choque Cultural: www.fotolog.com/choque_cultural 

Fotos retiradas do fotolog da Choque cultural e do Kboco

Expo Macaco 17 - 1

Expo Macaco 17 - 2

Expo Macaco 17 - 3

Expo Macaco 17 - 4

Expo Macaco 17 - 5


Expo Atropelo

Dezembro 4, 2006

Galeria Grafiteria

Grafiteria junto com choque Cultural são as duas mais importantes galerias de arte de rua, a grafiteria vem trazendo exposições sempre muito criativas como é o caso da expo Atropelo, Rui Mendes que é fotografo tirou varias fotos da cidade de São Paulo, registrando coisas do cotidiano do Paulistano, foram cerca de 8 meses fazendo fotos, logo após ter as fotos o grafiteiro Jey fez alguns grafites que se juntavam com as fotos e muitas vezes as fotos se juntavam ao grafite, o nome “Atropelo” vem por causa do grafite estar por cima da foto, atropelando o conteúdo da foto. Esse tipo de trabalho lembra os trabalhos feitos pelos designers com o Photoshop ou Freehand (ou outros programas) fazendo interferências em fotos, acrescentando desenhos.

Na exposição você vê fotos de todos os tipos e grafites de todas as formas o mais impressionante e como as fotos e os grafites dialogam bem. É meio ambíguo fazer uma exposição de arte de rua, afinal se arte é de rua pressupõe-se que ela está exposta na rua, sendo assim não precisa de um lugar pra mostra esse tipo de arte, as pessoas que estão na rua já tem contato com esse tipo de arte. Mas essa exposição vem para provar o contrario, de forma criativa e eficaz Rui Mendes com suas fotos traz as cidades pra dentro da galeria e o grafiteiro Jey pode grafitar como se estivasse na rua, a galeria de arte passa a ser a rua não havendo mais a ambigüidade citada acima.

O único ponto ruim é que a exposição é pequena, mas os trabalhos que tem são de impressionar e você pode ficar olhando por um bom tempo algumas fotos e achar coisas que você nem pensava que estavam ali. Uma idéia muito inovadora e uma exposição diferente que foge do comum.

No andar de cima da Grafiteria você pode conferir mais trabalhos do Jey, alem do acervo da galeria, que conta com grandes nomes do grafite, obras do pioneiro do Grafite Rui Amaral.

Link:

Jey: www.fotolog.com/jeyone/

Grafiteria: www.fotolog.com/grafiteria

 

 

Flyer Expo Atropelo

 

Expo Atropelo

 

Expo Atropelo 2

 

Expo Atropelo 4

 

Expo Atropelo 5

 

Fotos retiradas do fotolog Jey: www.fotolog.com/jeyone/


PIXO, LOGO EXISTO

Dezembro 4, 2006

Pinacoteca do Estado de São Paulo.

É difícil de acreditar que a Pinacoteca do estado vem com uma exposição que envolve pichação. Celso Gitahy que é o curador da exposição é um dos poucos pesquisadores nessa área de pichação e graffiti, ele já escreveu livros, dá palestras, oficinas e foi um dos precursores da arte de rua no Brasil.

Fazer exposição de pichação é comprar briga com muita gente, tem gente que fala que é arte, tem gente que não (A Maioria), mas é muito bom é preciso ter uma exposição que trata disso, por que geralmente a mídia televisiva que trata desse assunto e quase sempre usa argumentos ruins e não analisam por inteiro a pichação, tem que ver porque pichadores fazem a pichação, como diz o próprio Celso Gitahy em seu livro: “É uma guerra feita de tinta”, através da pichação os pichadores mostram que eles estão vivos, que eles existem, o Estado não está nem ai para pessoas pobres, a sociedade discrimina o cara da favela, o “moleque” mora na favela não tem nada pra fazer, a pichação é uma forma de se expressar e mostrar o desgosto dele, e como não tem nenhum conhecimento sobre arte a pichação é um tipo de arte que ele sabe fazer. Hoje em dia a pichação está integrada nas cidades do mundo todo, já faz parte do cotidiano as pessoas gostando ou não.

A exposição fica na grade da pinacoteca onde todos podem ver de graça. O suporte da pichação são balões de história em quadrinho, em cada balão tem a pichação de um pichador “famoso” e para cada balão de HQ tem a cabeça de uma personalidade da literatura, ou arte de 2,20 metros feito em stencil, entre as personalidades tem: Clarice Lispector, Nietzsche, Oscar Wilde, Marcel Duchamp, no total são 10 cabeças. Será que essas personalidades feitas em stencil concordariam com a pichação, quem vai saber.

Você até pode não gostar da pichação, mas tem que se render às belíssimas cabeças feitas em stencil, ótima obra do Daniel Melin, ou Ozéas Duarte com o seu Friederich Nietzsche cheio de texturas dentro, só quem viu pra saber.

Um stencil melhor que o outro, só achei que poderia ter mais conteúdo, até mesmo um conteúdo escrito, expandir mais a exposição para ter mais discussão, a Pinacoteca fez uma exposição de pichação, mas que ela fique do lado de fora do prédio da Pinacoteca.

Artistas participantes do projeto

Stencil:

Bete Nobrega [ Cabeça Clarise Lispector ]
Celso Gitahy [ Marcel Duchamp ]
Cláudio Donato [ Joseph Campbell ]
Cris Arenas [ Louise Bourgeois ]
Daniel Melim [ Oscar Wilde ]
Guilherme Valiengo [ Adoniran Barbosa ]
Júlio Barreto [ Frank Zappa ]
Júlio Dojcsar [ Berthold Brecht]
Ozéas Duarte [ Friederich Nietzsche ]

Pichadores:

8 º Batalhão
Taylor – Gang Boys
Marcelo Pingo – Nobres
Ricardo Farias – Presídio 34
Wagner Lucas – Pigmeus
Dino
Tortura
Tito – Rapto
Renata – Medusa
Priscila – Yugo’s

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Intervenção Urbana Vedar Para Ver

Novembro 9, 2006

No segundo turno das eleições um coletivo de arte fez uma intervenção no monumento as bandeiras de Victor Brecheret, a intervenção consistiu em vedar, tampar os olhos dos homens e cavalos que tem no monumento e na frente do monumento colocaram um pano escrito “Corrige” fazendo referencia ao botão “Corrige” da urna eletrônica. Logo abaixo tem um texto explicando o que esses artistas quiseram dizer. Achei muito legal essa intervenção, primeiro porque foge das intervenções urbanas clássicas ( Sticker, Lamb…) , segundo porque muda o contexto da cidade, as pessoas que passaram no local provavelmente não entenderam nada, mas devem ter refletido sobre e terceiro porque sem duvida tem muito o que se corrigir na política e políticos brasileiros. Vamos pensar em outros tipos de intervenções como essa.

“Intervenção Urbana Vedar Para Ver

Local: Monumento às Bandeiras (deixa que eu empurro) – Praça Armando Salles de Oliveira, no Ibirapuera.
Data: 29/10/2006.
Horário: 7 da manhã.

Domingo, segundo turno das eleições para escolher o Presidente da República. Cenário: Avenida Pedro Álvares Cabral, mais especificamente, a Praça Armando Salles de Oliveira. O que se verá na ocasião serão todas as estátuas do Monumento às Bandeiras vendadas e na base da obra uma bandeira vermelha escrita “Corrige”, que faz alusão ao botão das urnas eletrônicas.

Esta ação foi realizada no dia 29 de outubro, por um coletivo de 5 artistas que querem conscientizar os motoristas e pedestres da região, sobre seu papel na votação. O objetivo é chamar a atenção da população e mostrar que nosso processo democrático precisa ser corrigido por nós mesmos, que precisamos tirar as vendas dos nossos olhos para sermos mais ativos politicamente e para cobrar ações mais firmes contra a corrupção dos nossos governantes.

As estátuas foram caracterizadas como eleitores, caminhando cegamente rumo a lugar algum. Para reforçar o botão vermelho de CORRIGE estará a vista, como se pudéssemos com um só toque corrigir todos os políticos.”
Fotos e texo acima: www.fotolog.com/projeto_cha

Vedar para ver - Monumento 1